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As apostas que custaram carreiras

  • Foto do escritor: Gustavo Bastos Queiroz Silveira de Assumpção
    Gustavo Bastos Queiroz Silveira de Assumpção
  • 9 de abr.
  • 4 min de leitura

Entenda os esquemas de manipulação de jogos que abalou o futebol brasileiro e levou jogadores à julgamento e até ao banimento do futebol. 

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A operação “Penalidade Máxima”, investigação que é conduzida pelo Ministério Público de Goiás, investiga o possível envolvimento de jogadores em esquemas de apostas e manipulação de resultados dos jogos, até o momento jogadores das séries A e B são os principais alvos . A operação está centralizada em Goiás já que, no Campeonato Brasileirão da Série B de 2022 o volante Romário, do Vila Nova-GO, aceitou e uma oferta de 150 mil reais para cometer um pênalti na partida contra o Criciúma porém, ele não foi escalado e tentou aliciar outros jogadores mas, não conseguiu. Essa promessa de pagamento foi descoberta pelo presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, que denunciou o caso para o MP de de Goiás.        





Os esquemas funcionam da seguinte forma: quadrilhas de apostadores abordam os atletas e propõem que os jogadores tomem cartão amarelo ou vermelho ou até façam pênalti para depois poderem apostar nesses acontecimentos e lucrar depois, os atletas recebem uma quantia de sinal e depois de cumprirem o acordo recebem o restante da quantia.   


Ao aceitar participar de esquemas de apostas os jogadores põem em jogo não só a sua reputação mas também emoção dos torcedores que levam na alma e muitas vezes na pele  amor pela sua equipe do coração. Um dos principais possíveis envolvimentos é do Eduardo Bauermann, zagueiro do Santos, e para comentar como foi a reação de um ponto de vista de jornalístico e também de torcedor convidamos Felipe Noronha do canal “Eu vim de Santos” e da TV Cultura do Litoral.          


“A sensação foi a pior possível, afinal nem como torcedor, nem como jornalistas, queremos acreditar que o esporte que cobrimos passa por situações como essa. Mas o jogador foi citado na investigação, e não colocado como culpado" disse, Noronha. Esta entrevista foi feita antes do zagueiro do Santos ser julgado. Bauermann, Paulo Miranda, atualmente sem clube , Ygor Cárius ,do Sport, Moraes, do Aparecidense-GO, Matheus, sem clube, Gabriel Tota, Juventude,  e Kevin Lomónaco, do Red Bull Bragantino, foram a julgamento na última quinta-feira (1). Eduardo Bauermann é um dos jogadores que mais chamaram atenção desde o início das denúncias dos atletas, ele foi julgado e a sua pena foi de 12 jogos de suspensão, o atleta está com contrato suspenso. 

Foto:Arquivo pessoal


Gabriel Tota, Matheus e Paulo Miranda tiveram as penas mais pesadas do foram banidos, Paulo Miranda foi banido por 1.000 dias, e multados já que, no entendimento dos auditores, os atletas tiveram envolvimento na manipulação e ainda aliciaram outros jogadores. 


Veja as sentenças:


Moraes (Aparecidense-GO): 760 dias e R$ 55 mil.

Gabriel Tota (Ypiranga-RS): banimento e R$ 30 mil.

Paulo Miranda (sem clube): 1.000 dias e R$ 70 mil.

Eduardo Bauermann (Santos): 12 jogos.

Igor Cariús (Sport): absolvido;

Fernando Neto (São Bernardo): 380 dias e R$ 15 mil.

Matheus Gomes (sem clube): banimento e R$ 10 mil.

Kevin Lomónaco (Bragantino): 380 dias e R$ 25 mil.

   

Houveram mais julgamentos nesta terça-feira (6), foram julgados mais cinco jogadores: Ygor Catatau, hoje no Irã, Allan Godói, Paulo Sérgio, André Queixo e Matheusinho, todos eles que atuavam pelo São Luís. Catatau teve a maior pena, o atleta foi banido e terá que também terá que pagar uma multa no valor de R$ 70 mil já que para os auditores ele articulou manipulações e aliciou um grupo de atletas do Sampaio Corrêa, clube que atuou no último ano. 


Confira as sentenças:


Allan Godói - atualmente no Operário (PR): absolvido.

André Queixo - atualmente no Nam Dinh (Iraque): multa de R$ 50 mil.

Mateusinho - atualmente no Cuiabá (MT): 720 dias de suspensão e multa de R$ 50 mil.

Paulo Sérgio - atualmente no Operário (PR): 720 dias de suspensão e multa de R$ 70 mil

Ygor Catatau - atualmente no Sepahan (Irã): banimento e multa de R$ 70 mil.

             

Julgamentos conduzidos, respectivamente, pela 4ª e 5ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).


É intrigante pensar como atletas de alto nível no cenário nacional possam ter envolvimento em esquemas de manipulação se olharmos pelo lado financeiro pois, os jogadores, principalmente, da Série A têm em, boa parte, bons salários e a remuneração das manipulações.      

 

“Não é possível citar motivos, afinal a justiça não declarou ninguém culpado, mas podemos apenas cogitar algumas situações que envolvem problemas típicos da sociedade, como muito dinheiro rápido, facilidade, enfim, nas mãos de pessoas que passaram dificuldades na vida anteriormente.” comentou, Felipe Noronha 


A manipulação de resultados tiveram facilidade de serem esquematizados por conta da chegada mais forte das “bets”, como as casas são conhecidas, no Brasil  a partir de 2021, a demonstração deste cenário é que na última edição do Brasileirão os 20 times tinham patrocínio com alguma casa de apostas e dessas equipes 7 tinham as casas com patrocinador máster. E nesta edição do Campeonato Brasileiro casas de apostas patrocinam a própria organização do torneio. As “bets” são as maiores vítimas desses esquemas já que as quadrilhas se aproveitam  das casas para lucrar em cima das suas odds que basicamente são as chances de algo acontecer.          


A manipulação dos jogos é um problema de complicada solução, que pode afetar o futuro das casas de apostas no Brasil, Noronha afirma: “O primeiro passo é termos leis mais fortes sobre isso (casas de apostas). Nada é regulamentado nesta questão no país ainda. O outro ponto é cultural, criação das pessoas. E, ainda, podemos cogitar que punições exemplares abram o olho de outros que possam cogitar participar de esquemas.”, completa. 


  




        


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